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OS 10 NOMES MAIS POPULARES NO BRASIL! SERÁ QUE O SEU ESTÁ NA LISTA?

Publicado em 22 de Fevereiro de 2018 às 00h

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisando os dados colhidos no Censo de 2010, conseguiu levantar 130.348 primeiros nomes diferentes entre os 190.755.799 habitantes do país na data de referência da pesquisa. Desse modo, os resultados das análises, disponíveis no site do projeto Nomes no Brasil[1], conseguiu estabelecer quais os nomes mais dados aos brasileiros, bem como uma distribuição temporal – por década de nascimento – e territorial, sendo possível ver até os nomes mais atribuídos aos habitantes de determinado Município.

A seguir vamos ver os dez nomes mais populares no Brasil, a origem e significado de cada um deles[2] e propor algumas explicações para tal “fenômeno”.

 

10º Lugar: LUCAS

De origem grega e bíblica, era o nome de 1.127.310 de pessoas no Brasil em 2010. É o nome do escritor do terceiro evangelho do Novo Testamento, companheiro de Paulo em muitas viagens de evangelização, sendo-lhe atribuída a profissão de médico. De acordo com o Dicionário de Nomes Próprios, significa “iluminado”, “luminoso”, ou “lucano” gentílico dado aos habitantes da Lucânia, região do sul da Itália. Deriva do grego Loukás que, por sua vez, uma retração de Loukanós, que significa “da Lucânia”, ou seja, lucano. A raiz do nome é a mesma da palavra lux, que em português é luz. Daí a atribuição dos significados “iluminado” e “luminoso” ao nome Lucas.

Fonte: IBGE (2016).

Entre os brasileiros residentes no país em 2010, o nome Lucas era pouco usado entre os nascidos até a década de 1980, quando foram registradas quatro vezes mais pessoas com este nome do que a soma de todos nascidos em décadas anteriores. Na década de 1990 o nome ganha uma enorme popularidade, sendo o período de nascimento de quase a metade (45,9%) dos Lucas no Brasil.

Fonte: IBGE (2016).

Tal aumento de popularidade do nome talvez se dê pelo sucesso da trilogia de filmes Star Wars, de autoria de George Lucas, filmes campeões de audiência, tendo o primeiro filme lançado em 1977. Na década de 2000 o nome perde um pouco da popularidade, mas é nesse período que se registra quase a outra metade de nascidos com tal alcunha (44,8%).

Mesmo que em termos absolutos a maior quantidade de Lucas residia no Estado de São Paulo (mais de 282 mil pessoas), ficando Minas Gerais com o segundo maior quantitativo (por volta de 126 mil pessoas), é Brasília que registra a maior taxa[3] de pessoas com tal nome, sendo de 749,29 Lucas por 100 mil habitantes. Paraná desponta com a segunda maior taxa, 688,09 por 100 mil habitantes.

 

9º Lugar: PEDRO

Nome atribuído por Jesus a Simão, um de seus doze apóstolos, é também o dado a 1.219.605 brasileiros. Oriundo do grego Pétros a partir da palavra petra, tradução do aramaico Cephas, literalmente significa “pedra” ou “rochedo”. Trata-se do nome cristão mais difundido no mundo, tanto que para os católicos, além de São Pedro, o apóstolo considerado o primeiro Papa da Igreja Católica, também é o nome de cerca de 200 outros santos.

Fonte: IBGE (2016).

Mesmo tendo uma distribuição equilibrada entre as décadas de referência, o nome Pedro perdeu um pouco de popularidade entre as décadas de 1960 a 1980. Contudo, apresentou uma ascensão considerável na década de 2000, com mais de um terço do total de pessoas chamadas Pedro no país.

O certo equilíbrio na utilização de Pedro para a alcunha de brasileiros pode estar ligado ao fato dos dois imperadores do país no período monárquico terem este nome, além da tradição católica de veneração de São Pedro, ligada às festas juninas.

Fonte: IBGE (2016).

Semelhantemente aos chamados Lucas, as pessoas com o nome Pedro têm a maior taxa em Brasília, com 830,57 por 100 mil pessoas e a maior quantidade em São Paulo. O segundo lugar em quantitativo absoluto também fica com Minas Gerais entre os chamados Pedro. Mas a segunda posição com relação à taxa fica com Tocantins, com 818,46 por 100 mil pessoas.

 

8º Lugar: PAULO

Em 2010, 1.423.262 pessoas atendiam pelo nome de Paulo, alcunha adotada por Saulo quando de seu batismo, tornando-se um importante líder entre os cristãos dos primeiros tempos. O nome deriva do latim Paullus, a partir de paullo, significando “pequeno” ou “baixo”. Uma vez que todos os membros de determinada família romana eram designados pelo sobrenome, características físicas eram atribuídas aos indivíduos para distinguir um parente do outro. Daí a origem do nome.

Fonte: IBGE (2016).

Entre os brasileiros, o nome esteve em ascensão até as décadas de 1960 e 1970 (que concentram mais de um terço das pessoas chamadas Paulo). Contudo a partir da década de 1980, o nome vem perdendo sua popularidade. A maior simpatia do nome coincide com o processo de urbanização da população brasileira e o crescimento, principalmente, da cidade de São Paulo, podendo ser uma forte influência.

Fonte: IBGE (2016).

Rio Grande do Sul é o Estado com a maior taxa de pessoas com o nome Paulo, com 1.014,19 por 100 mil pessoas, ficando o Rio de Janeiro com o segundo lugar (993,11 pessoas por 100 mil). O Rio de Janeiro também fica em segundo considerando a quantidade absoluta (com mais de 158 mil Paulos). Já São Paulo continua com a maior quantidade, somando mais de 333 mil pessoas homônimas ao santo que dá nome ao Estado.

 

7º Lugar: CARLOS

O “homem do povo”, significado do nome Carlos, contemplava 1.489.191 brasileiros em 2010. De origem no nome germânico Karl, teria tal significado literal derivado dos termos karal ou kerl. Contudo, há estudiosos que ligam o nome à palavra germânica hari, nesse caso significando “exército” ou “guerreiro”. Sua popularização a nível mundial se deu a partir de Carlos Magno, que reinou os francos entre 742 e 814 de nossa era e conquistou grande parte da Europa Ocidental e Central a seu império.

Fonte: IBGE (2016).

Entre os brasileiros do Censo de 2010, o nome foi se popularizando entre as décadas de 1930 a 1960, passando por um período de relativo equilíbrio entre as décadas de 1960 a 1980. No decênio de 1990 há uma diminuição de Carlos, mas na década posterior o nome retoma o nível de popularidade alcançada no período de equilíbrio.

Fonte: IBGE (2016).

A maior taxa de pessoas chamadas Carlos é do Rio de Janeiro, com 1.194,59 pessoas por 100 mil habitantes, ficando este Estado com o segundo maior quantitativo absoluto (cerca de 191 mil pessoas). A segunda maior taxa é de Sergipe (859,04 por 100 mil pessoas), sendo São Paulo o que possui o maior quantitativo (mais de 328 mil Carlos).

 

6º Lugar: FRANCISCO

Aqueles normalmente apelidados por Chico totalizavam 1.772.197 pessoas no país em 2010. Originado do latim Franciscus, variante do germânico Frank, significando franco, tanto no sentido da denominação do povo que deu origem à França, quanto ao significado de “livre”. Daí o significado de Francisco ser, muitas vezes, indicada tanto como “francês livre”, quanto como “o que vem da França”. A primeira menção a Francisco está ligada ao santo católico São Francisco de Assis, sendo este um santo com grande prestígio entre os brasileiros.

Fonte: IBGE (2016).

O nome teve sua popularidade em ascensão até a década de 1960, que concentra quase um quinto dos nascimentos de pessoas com este nome (18,71%). A partir daí, Francisco foi perdendo sua simpatia entre os brasileiros em um ritmo muito similar a sua ascensão.

Fonte: IBGE (2016).

O Ceará possui a maior taxa, com 6.155,41 por 100 mil pessoas, concentrando de maneira expressiva aqueles com a alcunha de Francisco, inclusive sendo o que possui maior quantidade de pessoas assim nomeadas (mais de 520 mil). É mais que o dobro do segundo em quantidade, que desta vez é São Paulo, com por volta de 201 mil pessoas. Em termos relativos, o segundo lugar cabe ao Piauí, com 4.358,73 por 100 mil pessoas.

 

5º Lugar: ANTÔNIO

O censo de 2010 levantou 2.576.348 pessoas chamadas Antônio no Brasil. Derivado do latim Antonius que, por sua vez, originou-se do grego Antónios. Alguns estudiosos sugerem que o nome tenha origem no termo grego antheos, traduzido como “alimentado por flores”. Mas os significados mais aceitos são “valioso”, “de valor inestimável” ou “digno de apreço”. Era o sobrenome utilizado por uma famosa família patrícia em Roma, cujo membro mais famoso é Marco Antônio, braço direito de Júlio César. A popularidade do nome entre os brasileiros, sem dúvida, deve-se a herança portuguesa católica ligada a Santo Antônio, o santo “casamenteiro”, cuja festa é comemorada em 13 de junho, sendo muito popular principalmente na região Nordeste.

Fonte: IBGE (2016).

De maneira análoga aos chamados Francisco, aqueles com nome de Antônio nasceram em sua maioria na década de 1960 (20,63%), acompanhando uma ascensão em sua popularidade desde 1930. Depois da década de 1960 o nome foi perdendo simpatia entre os brasileiros.

Fonte: IBGE (2016).

Mesmo que menos concentrada que no caso de Francisco, o Ceará é o que possui a maior taxa de residentes com o nome de Antônio, com 3.541,58 por 100 mil pessoas, acompanhado pelo Piauí, com 3.164,26 pessoas por 100 mil. Aqui São Paulo assume novamente a dianteira com o quantitativo, com pouco menos de 498 mil pessoas, ficando Minas Gerais com o segundo maior quantitativo absoluto, com cerca de 231 mil.

 

4º Lugar: JOÃO

 João era o nome de 2.984.119 pessoas em 2010. Originado do hebraico Yehokhanan, palavra composta dos termos Yah (Javé, Jeová, Deus) e hannah (graça), significando “Deus é gracioso” ou “Deus perdoa”. Um dos nomes judeus mais populares desde a Antiguidade e também amplamente adotados por cristãos, especialmente devido a João Batista, profeta que batizou Jesus e também por conta de um dos doze apóstolos escolhidos por Cristo, que escreveu um dos quatro evangelhos da Bíblia, além do livro de Apocalipse no Novo Testamento. Devido às festas juninas, João também encontrou muita popularidade no Brasil.

Fonte: IBGE (2016).

Com exceção de um pequeno declínio entre as décadas de 1970 e 1980, João tem uma popularidade crescente entre os brasileiros, tendo mais de um quarto (26,61%) das pessoas com este nome nascido na década de 2000.

Fonte: IBGE (2016).

As maiores taxas pertencem a dois Estados nordestinos – Rio Grande do Norte e Paraíba, com, respectivamente, 2.284,17 e 1.959,34 por 100 mil pessoas – provavelmente por conta da tradição católica das festas juninas. Contudo, em termos absolutos, uma vez mais São Paulo e Minas Gerais apresentam as maiores quantidades, com mais de 610 mil e 330 mil, respectivamente.

 

3º Lugar: ANA

Primeiro nome feminino na lista dos dez mais populares no Brasil, 3.089.858 pessoas chamadas Ana foram recenseadas em 2010. Originado do termo hebraico hannah, assim como na composição do nome João, o termo significa “graça”, “graciosa” ou “cheia de graça”. É um dos nomes femininos mais difundidos na civilização cristã ocidental, talvez devido à veneração católica à mãe de Maria como Santa Ana.

Fonte: IBGE (2016).

Com exceção de certo equilíbrio entre os decênios de 1980 e 1990, Ana é um nome que tem uma popularidade crescente entre os brasileiros, tendo uma concentração bem superior a um quarto (30,27%) na década de 2000.

Fonte: IBGE (2016).

Uma vez mais o Ceará se apresenta com a unidade federativa com maior taxa, com 2.154,84 por 100 mil, seguido por Brasília, com 1.943,96 pessoas por 100 mil. Mas em termos absolutos a dobradinha São Paulo e Minas Gerais se repete, com pouco mais de 664 mil e cerca de 359 mil, respectivamente.

 

2º Lugar: JOSÉ

Normalmente apelidados de Zé, 5.754.529 brasileiros eram chamados de José em 2010. Oriundo do hebraico Yosef, também é uma palavra composta dos termos referentes a Deus (Yah) e acrescentar ou multiplicar (hwsif), ou seja, “Deus acrescenta” ou “Deus multiplica”. Muito popular entre os judeus na Idade Média, era pouco usado pelos cristãos até a popularização da veneração católica a São José, esposo de Maria, na Espanha e na Itália, sendo o nome de outros 35 santos católicos.

Fonte: IBGE (2016).

Acompanhando a distribuição apresentada pelos nomes Antônio e Francisco, José teve seu ápice de popularidade na década de 1960 (21,59%) e vem declinando desde então.

Fonte: IBGE (2016).

Tem a maior taxa entre a população de Alagoas, com 7.961,53 pessoas por 100 mil, acompanhado de perto por Sergipe, com 7.080,65 por 100 mil pessoas. Uma vez mais São Paulo, com mais de um milhão, e Minas Gerais, com pouco mais de 626 mil, são os Estados com as maiores quantidades de pessoas chamadas José.

 

1º Lugar: MARIA

Indubitavelmente o nome mais popular do Brasil, o nome da mãe de Jesus, segundo feminino nesta lista, é compartilhado por 11.734.129 pessoas em 2010, mais que o dobro que a quantidade de pessoas chamadas José, segundo nome mais popular. Há uma proliferação de significados atribuídos ao nome Maria. Alguns estudos apontam que, por ser um nome muito difundido antes mesmo da época de Jesus, Maria pode ter originado do sânscrito Maryáh, significando literalmente “a pureza”, “a virtude” ou “a virgindade”. Do hebraico teria relação com Myriam, significando “senhora soberana” ou “a vidente”. Também ligam o nome ao radical egípcio mry, significando “amada”. Ainda há estudos que atribuem Maria às palavras Yamo Mariro do aramaico assírio, que significaria “oceano azedo” ou “oceano ácido”. Outros traduzem o nome como “mar de amargura”, “a forte”, “a que se eleva” ou “estrela do mar”.

No Brasil, a popularidade do nome Maria com certeza está ligada à veneração da mãe de Jesus como santa católica, inclusive sendo Nossa Senhora Aparecida a padroeira do país segundo a Igreja Católica Apostólica Romana. Normalmente Maria conforma um nome composto com outros nomes e adjetivos, tais como Madalena, Aparecida, das Graças, de Fátima, entre outros.

Fonte: IBGE (2016).

A popularização do nome seguiu crescente até a década de 1950 e permaneceu estável até a década de 1960, sendo este período o que concentra quase metade dos nascimentos de pessoas chamadas Maria (42,37%). Segue-se um processo de depreciação até os anos de 1990. Mas no primeiro decênio do século XXI, Maria volta a ter a simpatia dos brasileiros.

Fonte: IBGE (2016).

No caso do nome Maria, o Piauí apresentou a maior taxa, com 11.645,19 por 100 mil pessoas, seguido de perto pelo Ceará, com 11.441,06 pessoas por 100 mil. Já no quantitativo, São Paulo e Minas Gerais se mantiveram com o primeiro e o segundo lugares, somando mais de dois milhões e quase um milhão e meio, respectivamente.

 

Interessante notar que somente dois nomes atribuídos normalmente ao sexo feminino está na lista, não? Talvez mostre que os pais brasileiros são mais criativos ao nomear as filhas, ou que, pelo contrário, a posição dos dois únicos nomes femininos no primeiro e terceiro lugares, indique a preferência por estes nomes para as filhas.

E aí? Seu nome está entre os 10 mais populares no Brasil?

Entre na página do projeto Nomes no Brasil e pesquise sobre seu nome, de seus amigos ou parentes. A página fornece informações a nível nacional, por Estado e por Município, além de oferecer as variações registradas de cada nome.

 


[1] INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Nomes no Brasil. Rio de Janeiro, 2016.

[2] 7GRAUS. Dicionário de nomes próprios: significado dos nomes. 2018.

[3] Relação entre as pessoas com determinado nome e a população total da unidade federativa, expressa por 100 mil habitantes.

* Nathan Belcavello de Oliveira é Geógrafo e Professor de Geografia. Diretor do Portal Geoblog, da Geodiálogos: Revista Eletrônica de Diálogo e Divulgação em Geografia e dos blogs Oportunidades em Geografia e Eventos de Geografia, além de pesquisador em Grupos de Pesquisa no Brasil e na Argentina.

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